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8º10'30" choreography Vania Gala
8º10’30” 8º10’30” is about a space, lost coordinates.But also about beings for who a single reference point of view has been denied.It is about that emotional imaginary space.The idea of an external force that controls the body moving it in a staccato way against the will the character is explored..Voodoo maybe traps, or maybe it’s just this white monster on stage that gives everything, water, fresh air but from whom we did not expect to ask anything in exchange.And it takes over the body when it feels like it.In that sense 8º10’30” is also a metaphor about monsters, monsters that we ourselves create and feed. 8º10’30” “Oh que monstro branco belo criámos meu amorDá-nos água e ar frescoEnlaça-nos no seu rendilhado em mais mentirasOh que monstro branco belo criámos meu amor” 8º10’30” é uma obra sobre um espaço, coordenadas perdidas.Sobre alguém que como que caiu do espaço, ali. Mas é sobretudo também uma peça sobre seres aos quais um ponto de referência único foi negado.Sobre esse espaço imaginário emocional.Por isso grande parte da linguagem explorada teve origem em improvisações à volta de medos ou fobias .Explorou-se ainda a ideia de uma força externa que controla o corpo, que o move de forma staccato sem que o personagem em palco tenha qualquer controle sobre ele. Voodoo talvez, armadilhas, ou talvez seja esse monstro branco em palco, que dá tudo, água , ar fresco mas que não se esperava que pedisse algo em troca. E que toma controlo deste corpo quando lhe apetece.Nesse sentido 8º10’30” é também uma metáfora sobre monstros que nós próprios criamos, alimentamos.Dança-se Josephine Baker, a Josephine Baker da saia das bananas que mais tarde tinha vergonha de mostrar aos filhos essa dança.Mas ela tomará nova forma em palco já sem bananas mas com rosas de porcelana, essa dança para o outro torna-se pois mais um espelho daquilo que vai na cabeça do espectador. Torna-se mesmo uma paródia sobre esses pensamentos, sobre esses monstros. 8º10’30” CenografiaStephan Weber A cenografia de 8º10’30” foi criada partindo da ideia de “missplacement” de pôr algo no local errado.Várias investigações foram feitas sobre locais que tivessem a ver com referências únicas da autora.Deste monstro branco em palco brotam acácias na forma de ar condicionado, o ar condicionado das grandes avenidas, dos grandes escritórios, cómodo fácil.O ar condicionado que faz “plim, plim” a um tempo exacto quando cai a água pela tubagem cá para fora, como se fosse chuva, Ombela. Chuva que refresca, que dá prazer.Um monstro que ocupa tudo e todos, as suas raízes estendem-se infinitamente para além do espaço, para além do mundo. Tubos que são como armadilhas rasteiras mas tornam-se por vezes local de ancoragem ao qual o personagem se agarra para ficar neste local onde água ar fresco são de graça, e oh como é bom ter tudo de graça.Interessava-nos ainda explorar a ideia de camadas (layers), já que é essa característica que torna esse ponto de referência único, algo que está por debaixo, tubos que se entrelaçam e penetram na terra e para baixo e fora dela.Essa ideia de layers aparece também ela no figurino, um casaco de Inverno feito de tecido oriundo dum sítio supostamente não há Inverno.Uma saia que se agarrará ao corpo e levará o performer a dançar a dança que supostamente deveria fazer. E um chão terra, terra de ninguém, terra que nunca será tua nem desse personagem que por aí deambulará. Música Hilary Jeffery A música de 8º10’30” é constituída por duas composições diferentes, cada teatro poderá optar por uma delas. Se inicialmente se pensou num banda sonora única que incorporasse ambas as composições, mais tarde ao longo do processo e por motivos conceptuais passou a fazer sentido usá-las separadamente.Ambas são massivas mas de sonoridades completamente distintas e ambas são compostas de diversas layers. with: Vania Gala
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